Ficar Não é Morte
- Jan 22
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Desço sem âncora,
alma presa entre mundos,
assim me foi traçado.
Levo a noite comigo,
não escondo o frio antigo,
caminho mesmo na sombra.
Dou amor como semente,
mas a terra não responde,
fica tudo enterrado.
O tempo dorme profundo,
como raiz no inverno,
sem pressa de florir.

Queria sol no meu nome,
queria o corpo em regresso,
mas é cedo para a luz.
Sei que volto borboleta,
sei que a cor vem depois,
mas a pele paga o preço.
Sou barco do mundo escuro,
sem porto que me salve,
navego por destino.
Sigo assim, coroado,
entre a dor e a promessa,
porque ficar não é morte.





