Farol
- Dec 17, 2025
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Vejo-te,
marujo de banheira,
a sonhar oceanos que ainda não sabes respirar.
Basta abrir a torneira
e vens dar à costa
dos teus próprios medos.
Eu já atravessei mares verdadeiros,
já levei homens no meu peito
que não sabiam nadar.
Fiz caldeiradas sem peixe,
sereias sem voz,
promessas sem corpo.
E aprendi:
a maior ilusão é chamar de oceano
quem só conhece espuma.
Agora carrego um farol dentro do peito.
Não para escolher ninguém
nem para me fechar,
mas para reconhecer
quem chega com o coração firme
e a alma desperta.

Quero um navegador
não alguém que me peça rumo,
mas alguém que traga bússola própria
e coragem de mar aberto.
Se vieres,
vem inteiro:
mar, não vapor.
Presença, não fantasia.
Porque já aprendi a ouvir o que é real
no meio das cantigas.
E eu sigo aberto,
mas só me encontro
com quem consegue realmente
encontrar-me de volta.





