ENTRE REINOS
- Jul 19
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Updated: Jul 21
Por muito tempo,
fui a Imperatriz.
Fiz jardins
em terras alheias,
vi reis em homens
que ainda procuravam
a própria coroa.
Eu via a beleza.
Via a dor.
Via o que poderiam ser.
E descia.
Não raptada.
Não enganada.
Eu escolhia o submundo
porque acreditava
que amar alguém
era também esperar
que encontrasse a saída.
Mas Perséfone
não é apenas a jovem
que desce.
Ela é Rainha.

Conhece as flores
e conhece o inverno.
Pode atravessar a escuridão
sem fazer dela sua casa.
Hoje ainda reconheço
os homens belos e perdidos.
Mas já não levo chaves
para prisões
que não são minhas.
Não confundirei mais
potencial com presença,
sentimento com escolha,
profundidade com liberdade.
A Imperatriz em mim
ainda ama.
Ainda cria.
Ainda acolhe.

Mas agora
há um Imperador
guardando seus portões.
Minha vida
ainda não está pronta.
Há caminhos por abrir,
papéis por assinar,
um reino inteiro
por construir.
Mas ele é meu.
E eu não preciso
que alguém esteja perfeito.
Preciso apenas
que também pertença
à própria vida.
Se um dia Hades vier,
que não venha
à espera de ser salvo.
Que traga suas chaves.
Sua voz.
Sua escolha.
Seu reino.
Eu descerei, talvez.
Mas não atrás dele.
Descerei porque quero,
porque sei voltar,
porque já não me perco
na escuridão de ninguém.
E quando nos encontrarmos,
não haverá uma salvadora
e um homem por nascer.
Haverá dois soberanos
diante da mesma porta.
Não para abandonar
os próprios mundos,
mas para construir,
entre o céu
e o submundo,
um terceiro reino.





